As desculpas escolhidas pela Rede Globo para cancelar o debate entre candidatos à presidência da República, ontem, dia 1º de outubro, não colou. A emissora dos irmãos Marinho, uma concessão pública, diga-se de passagem, alegou “insegurança jurídica” decorrente das decisões judiciais tomadas às vésperas do programa para cancelar o programa.

O que aconteceu: o TSE proibiu a exposição do púlpito vazio reservado ao presidente Lula e o STF determinou a inclusão de Renan Santos no debate. Flávio Bolsonaro, por sua vez, desistiu de comparecer. Vale lembrar que, em 2018, quando Jair Bolsonaro não foi ao debate na Globo, a emissora não colocou pulpito ou cadeira vazia.

Tudo começou com a recusa de Lula em comparecer para não participar, acertadamente, da “arapuca global”. Sim, porque estaria exposto a confrontos, pegadinhas, provocações e lacrações gratuitas vindas dos outros candidatos. Ao contrário, Lula escolheu ir a um podcast, quando teve quase 10 milhões de visualizações, para falar tudo o que não falaria no debate global. Por outro lado, ao ter que chamar o candidato Renan Santos (como previa as próprias regras da emissora), que faz críticas mais do que contundentes a Flávio Bolsonaro (e por isso, desistiu de ir ao debate), a emissora resolveu cancelar o evento. A Globo, enfim, cancelou o debate porque quis.

E o fez de caso pensado. Queria proteger seu candidato, Flávio Bolsonaro. Se não, vejamos: durante as entrevistas realizadas pela emissora com Lula e Flávio, em agosto,os jornalistas reservaram 10 das 15 perguntas feitas a Lula, sobre corrupção; já ao outro candidato a proporção foi bem menor: quando o Brasil queria saber mais sobre o envolvimento de Flávio Bolsonaro na captação de milhões de reais para a realização do filme “Dark Horse” (suspeita-se de total irregularidade), a Globo exibiu reportagem no Fantástico, com mais de 6 minutos de duração, e não citou uma única vez Flávio Bolsonaro, sendo que ele é formalmente investigado; a emissora levou algumas horas para dizer que a informação sobre a preocupação dos católicos quanto a destituição de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil, não tem a ver com Flávio Bolsonaro, mesmo com todas as evidências.

O monopólio que a Globo julgava ter, para realizar o último debate e ditar o que e como o candidato deve falar com os eleitores, acabou. As eleição presidencial não precisa necessariamente passar pela Globo do jeito que ela quer.

A mídia corporativa foi de arrasta

A mídia, sobretudo O Globo, Folha de S.Paulo e Estadão, também alegaram, em suas edições de sexta-feira, 2, os mesmos motivos da Rede Globo; acusações duríssimas a membros do TSE e ao STF pelo cancelamento do debate. Às vésperas das eleições, os principais jornais do país celam um pacto em favor do candidato de extrema-direita, Flávio Bolsonaro, contra Lula.

Argumentos que vão ao encontro das ameaças de Donald Trump ao judiciário brasileiro, que estaria justificando, inclusive, uma intervenção militar no Brasil. O Estadão chega ao cúmulo de propor o fechamento do TSE.

Ameaças terroristas

Uma hora antes do início do debate (que não houve), um homem, detido pela Polícia Militar, deixou uma mochila nas proximidades do Supremo Tribunal Federal. O esquadrão antibomba da PM foi acionado e a suspeita foi descartada.

No entanto, outra ameaça – digamos assim – foi acionada pelos EUA. Donald Trump decidiu suspender, na manhã desta sexta-feira, todos os atendimentos presenciais na sua Embaixada em Brasília e nos consulados espalhados pelo Brasil, sem especificar com detalhes os motivos. Apenas por “segurança”. A Austrália seguiu a orientação estadunidense e também fechou suas instalações no Brasil.

Trump e o governo australiano têm informações que nós ainda não?

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