O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vistas, nesta terça-feira, 8, no processo que analisa a decisão do ministro André Mendonça, de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

O colegiado do STF havia formado maioria pelo afastamento. Os ministros Numes Marques e Luiz Fux acompanharam a decisão de Mendonça. No entanto, o ministro André Mendonça não solicitou preventivamente manifestação do Procurador-Geral da República (PGR), Paulo Gonet. A decisão também afetou o Diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada.

Segundo relatou o site Brasil 247, a decisão de Mendonça se deu a partir de um pedido apresentado pelo Partido Novo, em 2 de setembro.

A medida extremada do ministro do STF chama a atenção porque decisões como essa devem ser tomadas após manifestação da PGR. O que não foi o caso. Segundo a CNN Brasil, a ausência dessa consulta aumenta a crise entre Paulo Gonet (PGR) e o gabinete de André Mendonça.

A crise está diretamente ligada à eleição presidencial e à questão do Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O candidato do PL à presidência, Flávio Bolsonaro, “pediu a cabeça” do ministro Alexandre de Moraes, durante ato dos bolsonaristas na Avenida Paulista, neste 7 de setembro. Coincidência ou não, na manhã do dia 8, o ministro Mendonça pede o afastamento de Andrei Rodrigues, da PF. O ministro do STF alegou que sofria monitoramento há mais de 30 dias.

O Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias, imediatamente acusou Mendonça de interferir no Poder Executivo, já que o Diretor da PF foi indicado pelo presidente Lula. A qualquer momento, o presidente pode contestar quem está usurpando poderes.

Sentindo cheiro de golpe, o ministro Gilmar Mendes, ao pedir vistas, terá 90 dias para decidir seu voto, embora o afastamento segue valendo.

O fato é que a decisão monocrata de Mendonça politiza a questão eleitoral ao jogar para a opinião pública um julgamento sobre o STF. Vale lembrar que esta questão está sendo devidamente apoiada pela grande mídia e, necessariamente, força um posicionamento de Lula, esquentando ainda mais o embate eleitoral.