Após o episódio lamentável que significou a sessão do STF, na última terça-feira, dia 15, o Ministro Gilmar Mendes voltou a criticar, nesta quinta, 17, o ministro André Mendonça na condução do caso Master. Gilmar, decano do STF, afirmou que Mendonça tentou promover uma exposição injustificada do chefe da Procuradoria-Geral da República, Paulo Gonet, e que sua conduta teve “finalidade política”.

A sessão do STF discutiu os desdobramentos de um relatório da Polícia Federal com mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Nesse relatório havia referências a autoridades, entre elas Gonet e o ministro Alexandre de Moraes.

Segundo Gilmar Mendes, a divulgação seletiva dessas menções, pelo ministro André Mendonça, atingiram a reputação de Gonet, já que não há ilícito algum nas conversas. Cobrado durante a sessão do STF, Mendonça chegou a reconhecer a inexistência de irregularidades atribuídas a Gonet, no entanto, para Gilmar Mendes, não foi o suficiente na reparação aos danos provocadas pela divulgação. O próprio Gonet disse, durante sua intervenção na sessão do STF, que teve uma conversa, sim, com Vorcaro, uma única vez, mas breve e banal. Gilmar disse ainda sobre um vídeo divulgado por Mendonça, em setembro, quando agradece as mensagens de apoio. “Apoio de quem?”, perguntou Gilmar.

Para o decano do STF, Mendonça tenta contaminar o calendário eleitoral em favor de Flávio Bolsonaro. Mendonça, nega.

Os vazamentos seletivos de André Mendonça são práticas similares às do então juíz Sérgio Moro e ao ex-procurador Deltan Dallagnol, durante a condução da Operação Lava Jato, quando a ideia era criar fatos consumados antes da ação penal, colher os dividendos políticos e deixar a defesa correndo atrás de um julgamento que a opinião pública já havia feito.

Aliás, opinião formada pela omissão da grande mídia que, de um lado, tenta fazer crer que a desastrosas sessão do STF, como bem mencionou o ministro Flávio Dino, serviu para desmoralizar o ministro Alexandre de Moraes e favorecer, por tanto, a candidatura de Flávio Bolsonaro. Ao contrário, primeiro, que aproximadamente 40% dos eleitores ainda não definiram seus votos, segundo pesquisas espontâneas, e os outros 60%, a maioria absoluta é favorável à candidatura de Lula. E segundo, que ficou evidenciado no relatório da PF os envolvimentos diretos e vexatórios de Kássio Nunes e o filho do ministro Luiz Fux com Daniel Vorcaro. E isso a mídia parece não dar tanta atenção.

Mas, mais grave é o crime – se assim podemos dizer – cometido por André Mendonça. Nesse mesmo relatório da PF, extraído do celular de Vorcaro, aparece uma reunião acontecida, no dia 14 de março de 2025, entre André Mendonça e Daniel Vorcaro, na sede do Instituto Iter (que em latim significa caminho, percurso ou passagem), de propriedade do ministro. O fato é que, no dia seguinte, Mendonça pediu vistas a uma decisão do ministro Flávio Dino que suspendia a cobrança abusiva que a concessão do Master tinha sobre serviços funerários em São Paulo. André Mendonça, em seu voto, considerou que os preços não eram abusivos. Resultado, Vorcaro lucrou, aproximadamente, cerca de R$ 78 milhões.

A situação é clara. Há um golpe em andamento, a partir do STF, via André Mendonça e o fraquíssimo Edson Fachin, contra o bom andamento das eleições de outubro. A interferência é evidente. Se antes a ideia era dar luz a uma possível relação entre o filho de Lula, Fábio Luiz e Daniel Vorcaro, que não deu certo, agora, é tentar tumultuar o processo, criar confusão nas informações para diluir os escândalos que caem diariamente no colo do candidato da mídia, de parte do supremo e da Faria Lima; Flávio Bolsonaro.